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Crítica O Globo de Mulheres em Luta

GNT acerta com ‘Mulheres em luta’, série de cinco episódios

 

 

Uma das melhores estreias recentes do GNT é “Mulheres em luta”. A série de cinco episódios traz histórias de mulheres militantes presas na “Torre das Donzelas” — o conjunto de celas femininas no alto do Presídio Tiradentes, em São Paulo — na época da ditadura militar. A produção não é apenas oportuna — o golpe está fazendo 50 anos e vem sendo discutido extensivamente. Dirigida por Susanna Lira, é também uma obra de grande sensibilidade e equilíbrio.

Susanna misturou imagens de arquivo, algumas delas pouco vistas, a depoimentos emocionantes de ex-presas. As primeiras personagens, a advogada e conselheira da Comissão da Anistia, Rita Sipahi, e a professora de história Fátima Setúbal, colaboraram, e muito, para uma estreia de impacto.

O programa começa intercalando os relatos de ambas com imagens da época no Vietnã, em que Mao Tsé Tung aparece na Praça da Paz Celestial falando para uma multidão e ao som de rock n’ roll. Rita conta como aderiu à AP e Fátima, de que forma entrou para a VAR Palmares.

Depois, elas são levadas a locais ligados às suas histórias. No caso de Fátima, a igreja onde dava aulas, no subúrbio do Rio, há mais de 40 anos. Rita visita a antiga cela. “Mulheres em luta” não se limita a olhar o passado: tudo é atualização. As duas fazem uma reflexão sobre as respectivas militâncias aos olhos de hoje. O programa também ouviu os filhos delas.

“Mulheres em luta” tem uma trilha inspirada. Entre outras canções, está “Time is on my side”, dos Rolling Stones. Tudo em sintonia com os depoimentos das duas mulheres, ainda movidas por uma certa rebeldia romântica que contagia. Fátima cita Guimarães Rosa e Carlos Drummond de Andrade e fala em utopia, companheirismo e solidariedade. Impossível não se emocionar.

Link para a matéria: http://kogut.oglobo.globo.com/noticias-da-tv/critica/noticia/2014/03/gnt-acerta-com-mulheres-em-luta-serie-de-cinco-episodios.html