Crítica sobre o filme Damas do Samba no Estadão por Luis Zanin.

Muita gente já acusou de machista o ambiente do samba. Susanna Lira procura mostrar não apenas que a mulher tem vez como é elemento essencial na nossa mais importante manifestação musical. As Damas do Samba mescla registro histórico a outro, lírico, para mostrar como a presença feminina se dá desde as origens, a começar pela mitológica Tia Ciata, em cujo quintal o ritmo teria nascido.

Em hábil montagem, vão passando pela tela as mulheres que marcaram o samba, das indefectíveis Dona Zica e Dona Neuma, da Mangueira, a cantoras e compositoras como Dona Ivone Lara, Beth Carvalho, Alcione. Inclui passistas, aderecistas, diretoras de barracão, enfim, todas as que fazem e constroem essa complexa ópera que é um desfile de Escola de Samba, da integrante da ala das baianas à porta-bandeira.

O filme tem um eixo – garantido pela antropóloga Helena Theodoro, que lhe empresta consultoria – em torno do qual se distribuem momentos pontuais de alumbramento. Destaque para dois, em especial, quando Beth Carvalho “incorpora” Clementina de Jesus e canta com sua voz afro; o outro, em que Dona Ivone Lara canta, a capela, sua música Sonho Meu. Esse longo plano, em close, da artista, talvez seja o mais emocionante do ano, no cinema brasileiro. Já vale o filme.

Que, no entanto, tem muito mais a oferecer. Construído com ritmo, amor e senso estético, As Damas do Samba é porta de entrada original a essa grande arte popular. Ao que o Brasil tem de melhor, aliás. Só não vê quem é ruim da cabeça ou doente do pé. As informações são do jornalO Estado de S. Paulo.

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