Crítica do filme “Porque Temos Esperança” no site http://carmattos.com/

PORQUE TEMOS ESPERANÇA

por Carlos Alberto Mattos

Depois de Cativas – Presas pelo Coração, de Joana Nin, que levou uma menção honrosa no festival do ano passado, mais uma visão do universo penitenciário pelo ângulo das afetividades chega à Première Brasil. Porque Temos Esperança, de Susanna Lira, vai ao encontro de presidiários que não reconheceram legalmente seus filhos ou não foram reconhecidos pelos seus pais. Num dos casos enfocados, um detento admite dar seu nome ao filho e simultaneamente aceita receber o nome do seu padrasto.

A ausência do pai é um tema caro à diretora, que tem outro projeto inspirado em sua própria experiência (comum a este crítico, por sinal). Se na vida em liberdade, o não reconhecimento paterno pode ser uma lacuna impreenchível, que dirá entre pais e filhos separados pelas grades. O filme se aproxima do tema através de Marli, uma mulher de Recife que, após ser deixada pelo pai do seu filho logo após o parto, iniciou uma militância que a levou a fundar, há 22 anos, a Associação Pernambucana de Mães Solteiras. Em notável cumplicidade com Marli, Susanna acompanha suas ações de aproximação entre pais e filhos e flagra momentos de grande emotividade e algum desconforto. Discreto no método e absorvente nos trabalhos de fotografia e trilha musical, Porque Temos Esperança deixa nas entrelinhas uma informação importante: a tal associação é na verdade o empenho de uma mulher só, movida por uma força advinda do próprio sofrimento.

Fonte: http://carmattos.com/

Be Sociable, Share!