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Jorge Loredo

Jorge_LoredoEssa é a imagem que vou ter sempre dele! Ele foi o início de tudo. Meu primeiro filme como diretora e eu já me deparei com esse ‘lorde’. Jorge Loredo é um gênio! Homem que sabia tudo do mundo das artes, um exemplar advogado (foi responsável por aposentar vários artistas), extremamente elegante e de caráter ilibado. Nunca vou esquecer de sua delicadeza e de sua generosidade. Amava profundamente sua arte e fazia dela o sentido de sua vida. Era um ser apaixonante e inspirador. Graças ao ‘Câmera, Close!’, surgiu a Modo Operante Produções e todos os filmes que vieram depois disso. Hoje, eu estou em São Paulo para defender um projeto em um pitching, assim como eu fiz há 10 anos atrás para o Canal GNT defendendo a biografia do Jorge. Eu me lembro bem quando eu liguei pra ele gritando: Nós Ganhamos! Nós Ganhamos!!! e ele sorriu discretamente do outro lado da linha. Jorge Loredo, queria te dizer hoje: Nós fomos muito privilegiados por ter convivido com você! Eu realmente desejo, quando for a minha hora, que eu deixe no mundo as mesmas impressões que você deixou! Te amaremos para sempre!

Crítica do filme “Porque Temos Esperança” no site Almanaque Virtual.

fonte: http://almanaquevirtual.uol.com.br/porque-temos-esperanca/

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por

27 de outubro de 2014

Susanna Lira é uma cineasta incansável. Dona de um olhar sensível e perspicaz, ela é capaz de pinçar interessantes personagens cujo trabalho resgata a dignidade do poder feminino. Depois de fazer um belo painel sobre algumas mulheres que tiveram uma importante participação na história do samba no Rio de Janeiro em Damas do Samba (com previsão de lançamento para fevereiro de 2015), a diretora viajou para Recife para acompanhar a trajetória de Marli Maria dos Santos – fundadora da Associação Pernambucana das Mães Solteiras – que percorre instituições penitenciárias, atrás de quem necessita de esperança. Abandonada pelo marido, dias após ter dado a luz, Marli sabe como é criar um filho sem a presença masculina e a falta que faz um pai. Uma das cenas mais marcantes do filme é quando ela vai ao encontro de seu ex-marido para entender se ele sabe o tamanho da dor que causou.

Mas este não é apenas um documentário sobre uma ativista social. Mais uma vez a diretora transcende a estrutura meramente informativa e propõe uma discussão social e política sobre a importância da constituição familiar brasileira reconhecendo, de forma extremamente carinhosa, o esforço de Marli – uma missionária cujo objetivo é resgatar os poucos fiapos de dignidade que ainda restam no sofrido povo brasileiro, promovendo a união das famílias desvalorizadas pela ausência paterna.

Susanna captura os entrevistados de forma espontânea e permite aqueles que não têm intimidade com a câmera de se manifestar voluntariamente extraindo depoimentos verdadeiros e emocionantes.

Na segunda metade, Susanna dá voz aos homens que lamentam os rumos de suas vidas separados dos pais, com destaque para Gleidson e Rosildo que se encontram no cartório para registrar a paternidade perdida e enfim apaziguar o sentimento de rejeição.

Apesar de o tema conter um forte apelo sentimental, Porque temos Esperança (2014) atinge a platéia com suas notas reflexivas traçando um esperançoso retrato da recuperação familiar brasileira. Susana e Marli são exemplos de mulheres que, como outras tantas espalhadas pelo Brasil, seguem seu caminho acreditando que o afeto, a esperança e a harmonização são capazes de transformar uma vida.

Festival do Rio 2014 – Première Brasil: Competição longa documentário

 

Porque temos Esperança (idem)

Brasil, 2014. 71 min

Direção: Susanna Lira

Documentário

Matéria no “Estadão” – Blog Adriana Plut

Festival do Rio: “Porque Temos Esperança” discute questão da ausência paterna

Adriana Plut

30 setembro 2014 | 22:58

Há cinco anos, a diretora Susanna Lira se deparou – e se encantou – com a história de Marli. Apaixonada pela obra de Pedro Almodóvar, Lira, que nunca conheceu seu pai, fazia pesquisa para outro documentário, Nada Sobre Meu Pai, (ainda em fase de produção) quando se encontrou com uma mulher de cabelos muito longos, boca pintada e roupas coloridas. A figura e o jeito forte, mas ao mesmo tempo doce, de Marli fizeram com que Lira se lembrasse na hora dos personagens do diretor espanhol que tanto adora. Criadora da Associação Pernambucana de Mães Solteiras, Marli trabalha incansavelmente para que pais reconheçam seus filhos no papel e na vida. “Ela lida com questões muito sérias, sentimentos delicados como o afeto, laços de pais e filhos, e faz o seu trabalho de um jeito muito comovente”, diz a diretora. No documentário Porque Temos Esperança, Lira acompanha a rotina nada fácil de Marli e enfoca o projeto “paternidade além das grades” idealizado pela associação, que hoje atua em diversos presídios de Pernambuco.
A ideia da diretora nunca foi fazer um filme sobre uma ativista. Assim como as pessoas que tenta ajudar, Marli foi abandonada pelo marido há 23 anos, quando seu filho ainda era um bebê. É por isso que os primeiros 12 minutos do documentário não mostram o trabalho da Associação, e sim um café da manhã quase frustrado em que ela é rejeitada pelo filho, que por sua vez sente não ter a atenção da mãe, afinal o tempo dela é quase todo dedicado a ajudar outras famílias. Fazendo com que outros pais reconheçam seus filhos, Marli parece buscar uma espécie de redenção para sua própria história. “Ela não é uma heroína clássica, mas uma mulher cheia de dilemas”, diz Lira. “Me interessa documentar essas contradições, o filho que se sente amado e rejeitado, diz que não vai falar e depois fala, esse conflito de emoções. Deixar esse embate já nos primeiros minutos foi uma decisão difícil de montagem, mas se não fosse assim seria um filme sobre uma ativista, mas a Marli não é só isso. Com seu trabalho ela tenta suprir algo dentro de si mesma”.
O documentário mistura a vida pessoal de Marli (em certo momento do filme, ela se encontra com o ex-marido e busca entender se ele sabe quanta dor causou) com a história dos presidiários que auxilia na Associação. “Tem um momento que me faz chorar toda vez, que é quando o Gleidson chega no cartório para registrar o filho e é muito carinhoso”, conta Lira . “E aquele filho com um olhar triste, que mostra a questão da ausência paterna, do abandono, uma carência enorme que a gente tem”.
Porque Temos Esperança será exibido pela primeira vez nesta quarta-feira (30.9) no Festival do Rio (mostra Première Brasil: Competição de Documentários). Será a primeira vez que Marli assistirá ao filme. Para Lira, sua personagem saída dos clássicos de Almodóvar deve balançar. “Ela ajuda tanto os outros que não tem tempo para olhar pra si”. O público também não deve sair indiferente, afinal é difícil ver Porque Temos Esperança e não se emocionar pensando na relação com os próprios pais.

fonte: http://blogs.estadao.com.br/adriana-plut/festival-do-rio-porque-temos-esperanca-discute-questao-da-ausencia-paterna-2/

Crítica do filme “Porque Temos Esperança” no site http://carmattos.com/

PORQUE TEMOS ESPERANÇA

por Carlos Alberto Mattos

Depois de Cativas – Presas pelo Coração, de Joana Nin, que levou uma menção honrosa no festival do ano passado, mais uma visão do universo penitenciário pelo ângulo das afetividades chega à Première Brasil. Porque Temos Esperança, de Susanna Lira, vai ao encontro de presidiários que não reconheceram legalmente seus filhos ou não foram reconhecidos pelos seus pais. Num dos casos enfocados, um detento admite dar seu nome ao filho e simultaneamente aceita receber o nome do seu padrasto.

A ausência do pai é um tema caro à diretora, que tem outro projeto inspirado em sua própria experiência (comum a este crítico, por sinal). Se na vida em liberdade, o não reconhecimento paterno pode ser uma lacuna impreenchível, que dirá entre pais e filhos separados pelas grades. O filme se aproxima do tema através de Marli, uma mulher de Recife que, após ser deixada pelo pai do seu filho logo após o parto, iniciou uma militância que a levou a fundar, há 22 anos, a Associação Pernambucana de Mães Solteiras. Em notável cumplicidade com Marli, Susanna acompanha suas ações de aproximação entre pais e filhos e flagra momentos de grande emotividade e algum desconforto. Discreto no método e absorvente nos trabalhos de fotografia e trilha musical, Porque Temos Esperança deixa nas entrelinhas uma informação importante: a tal associação é na verdade o empenho de uma mulher só, movida por uma força advinda do próprio sofrimento.

Fonte: http://carmattos.com/

Primeira Crítica “Porque Temos Esperança

PORQUE TEMOS ESPERANÇA

por Patricia Rebello

Lá no começo dos anos 1920, Robert Flaherty – diretor de “Nanook do Norte”, considerado um marco histórico do filme documentário – descobria que documentário é parceria. E que sem a colaboração integrada de todos os que participam da produção, não se faz cinema. Não apenas ele convocou boa parte dos esquimós da Baía de Hudson para colaborar nas filmagens, mas também conquistou o coração (e a alma, e o desejo de ser personagem) de Nanook, o protagonista da história. O esquimó não apenas encenou para a câmera gestos e cenas do cotidiano, como também retomou práticas e processos que há muito haviam deixado de existir. “O filme em primeiro lugar”, dizia ele. Claro que essa parceria é deixada de fora da história que se conta – mas talvez ninguém entendesse muito, lá então, a importância que ela tinha.

Quase cem anos depois, é essa cumplicidade que também constrói documentários como “Porque temos esperança”; contudo, agora não apenas ela aparece na tela, como também é celebrada como aquilo que move a narrativa. Marli Márcia da Silva, presidente e fundadora da Associação Pernambucana de Mães Solteiras, é a personagem que faz as vezes de fio condutor do documentário, e elemento de ligação entre as famílias cujas histórias se desenrolam. Assim como para o esquimó, também para ela “o que importa é o filme”; mas diferentemente de Nanook, Marli sabe que não é ela quem importa, mas sim as histórias que se contam, e se desdobram, a partir dela.

Boa parte dos mais inventivos documentários brasileiros contemporâneos giram em torno da cultura carcerária (O Rap do Pequeno Príncipe, O prisioneiro da grade de ferro, Juízo e Justiça, para ficar em poucos exemplos), questionando e colocando em xeque a distância entre a teoria e a prática. “Porque temos esperança” comenta também estes aspectos, mas a partir de um recorte bem original: o reconhecimento da paternidade. A condição de ter um pai, ou ser o pai de alguém, pode representar um ponto de virada na vida do presidiário, um ponto em direção ao qual eles podem caminhar e reencontrar a paz, desejo de liberdade, a esperança. Mas se esse discurso parece bem resolvido, nada mais estranho do que o real que se consolida “para o filme, pelo filme”: a câmera da diretora Susanna Lira capta momentos sublimes de incômodo, desconforto e encenação forçada entre as famílias reunidas. Fica no espectador a sensação dialógica do processo: é bom, mas é ruim. Como tudo na vida. – See more at: http://criticos.com.br/?p=5776&cat=2#sthash.4dqJSpCi.dpuf

“Estrelas Mudam de Lugar” estreia no Canal Futura

Estrelas Mudam de Lugar” revela ao público o projeto Moradia Assistida, que é direcionado para pessoas com transtornos mentais como uma alternativa à internação.

O filme propõe um registro realista sobre as casas de Sérgio, Rogério, Bebel e Stela, onde eles desenvolvem sua autonomia, mas também aprendem a viver em grupo, dividindo os espaços, compartilhando experiências e, acima de tudo, respeitando uns aos outros em suas diferenças. Essas moradias formam um mosaico de realidades que apresentam ao espectador o conceito de inclusão social das pessoas com transtornos mentais.

Afinal, citando a psiquiatra Patrícia Schmid: “A loucura pertence à vida. Ela não está nos hospícios, ela está no dia-a-dia, de todas as formas e todas as maneiras”.

Direção: Susanna Lira